Já activei a net aqui na minha casa no Funchal.
Pois... cá estou na ilha! A Anita sou eu, claro (mas não me tratem assim; é só porque agora dá jeito)
e já vivi umas aventuras nestes dias de regresso à Ilha.
Os primeiros dias custaram, andava desorientada, mas agora já estou ambientada. Logo no segundo dia cá em casa pensava «-Mas porque vim tão cedo?» , mas agora penso que fiz muito bem vir 20 dias antes de começar a trabalhar.
Lentamente lá me fui organizando. Ainda não estou completamente orientada mas vou aos poucos! Redescobri o meu apartamento, mudei coisas de lugar para acesso mais facilitado (acina da cintura), deitei fora revistas antigas e papeladas...
Já estava -estranhamente ao que pensava nos primeiros tempos de recuperação- completamente desligada do que tenho cá em casa.
Já tenho uma Empregada de Limpeza (pois eu não consigo tratar dessas lides caseiras, pelo menos das mais exigentes) , já reiniciei a Fisioterapia e ando à procura de um novo carro,NOVO, NOVO, com mudanças automáticas e outras funcionalidades práticas. Não está a ser fácil!
Não era para procurar já um novo carro (era só para ser a partir de Janeiro)mas tenho conduzido muito mais que o habitual em Trás-os-Montes e verifico que este meu "bolinhas" Peugeot 106 Kid de 1994
me cansa imenso!!!Não pode ser, tenho mesmo que arranjar outro carro! Só comecei a procurar a semana passada,incentivada por mais uma aventura que vivi com este meu "bolinhas": ao terceiro dia que ,corajosamente, peguei no carro, lá fui eu à Fisioterapia no excelente Ginásio que comecei a frequentar ,num horrível dia de chuva e temporal ventoso e vou para ir embora para casa, almoçar e ao querer ligar o carro: NADA! Mudo, silencioso, não obediente. Não aconteceu nada! Telefonei ao mecânico. Até manti a calma, mas estava cheia de fome, era hora do almoço e o Sr.M só podia ir ter comigo às 14h e estava um vendaval tremendo lá fora, que fazia dançar o carro por todos os lados, quase parecendo voar e com uma chuvada que me impedia ao menos, sair da claustrofobia do carro e ir esperar para a Pizzaria ali perto. Ao menos almoçava. E ia à casa-de-banho , pois, porque também só faltava a minha bexiga se ter sentido subitamente cheia! E nem tinha música ,nem nada e o meu telemóvel estava a assinalar a falta de bateria. E nem ao menos tinha um livro para ler, como ás vezes tenho.
Bem, foi uma hora interminável de espera, a sentir que o carro se ia destravar e levantar vôo, a observar alguns turistas mais destemidos na rua a serem vergastados pela chuva puxada a vento; as palmeiras a dançarem loucamente, o mar escuro mesmo à minha frente, ao fundo, tão perto. Ai!!! Paciência! Calma!...Finalmente o temporal acalmou um pouco e assim que parou de chover saí imediatamente do carro. Ainda tinha tempo de almoçar e lá fui deliciar-me com um Pizza! Meia hora depois, um sol explêndido e vestígios do temporal só as folhas de bananeira e outros detritos espalhados pelo chão. O sr.M e um funcionário chegaram ao local explicado, eu engoli um café quente (aqui chama-se bica, como no centro-sul de Portugal) que me queimou a língua e lá fui ter com o sempre solícito sr.M. O problema foi bem mais simples das hipóteses que poderiam ser, faladas ao telefone: poderia não ser da bateria, por ser nova, mas poderia ser o alternador ,por exemplo, por estar tanto tempo com o carro parado, apesar de já ter pegado nele duas vezes mais o ir até ali. Bem, como o carro não reagia a nada era algo desligado, definitavamente. E era a bateria cujos cabos mal apertados, estavam em mau contacto, não permitindo a energia circular em circuito. Simples! Foi só apertar melhor as roscas! E eu fiquei assim, meia sem jeito, com uma caixa de pizza e os restos dela lá dentro e só disse, desconcertada, aos "homens entendidos":
«-Só isso?...Até dá para rir!...» Mas melhor isto só que mais uma despesa extra de oficina, que eu já fazia um filme, aborrecida com a situação e mesmo a ficar levemente chateada!
A contrariedade passou, tal como o temporal, os homens lá foram com uma "história de mulheres e carros" para contar e eu lá fui a conduzir o meu "bolinhas" (de direcção muito pesada e de caixa de velocidades normal) , morro acima a pique, até casa. Com tanta emoção do dia , mais cansaço da Fisioterapia exigente, acabei a dormir uma boa soneca de um par de horas!
Ás vezes meto-me em cada aventura!!!Os dias vão correndo! Vinte dias pareciam tanto tempo e é já depois de amanhã que recomeço a minha vida laboral na Escola.
Eu vivo aqui na Madeira, na freguesia de São Martinho. Hoje é o seu dia, também aqui na ilha. Há festa nas redondezas. Apesar de não estar frio algum ( é Verão de S.Martinho, literalmente) também se celebra com castanhas e vinho. Já se sente o cheiro de castanhas assadas, mas aqui não me sabe! Não parece Outono, não cheira a Outono, não há cores de Outono!