
Chama-se "Mar de Stano" e é uma homenagem a um rapaz espanhol, de Alicante, feirante que conheci na Festa da História em Bragança neste Agosto de 2009. Foi a namorada dele (do Stano, nome do rapaz), artesã que confeccionava sabonetes artesanais, que primeiro meteu conversa comigo, enquanto eu expunha os lenços de seda na tenda. -Mi chico tanbem pinta la seda., disse-me. E eu contente por conhecer mais alguém apaixonado pela arte da pintura sobre seda. Nessa tarde o rapaz, muito tímido, carácter muito sensível e calmo, deu-se a conhecer, vestido com roupas muito usadas, uma espécie de mendigo medieval, com o cabelo tapado com um gorro. Ele não vendia as suas sedas, acompanhava só a namorada (que era sueca ou filandesa, já não me lembro). Por acaso trazia na roulote algumas sedas suas, que não venderia nunca, porque lhe deram muito trabalho, além de que nunca lhe daria um valor por menos de 50€. Trouxe-mas horas depois, para eu ver, e eu fiquei sem palavras, muito emocionada! LINDAS! LINDAS, as echarpes! Eram ARTE VERDADEIRA , um minúcia no desenho, muito pormenor desenhado com guta, muito cuidado nos detalhes,... O tema tratado era quase o mesmo nas 4 ou 5 echarpes que me deslumbraram: Uma Sereia Mulher-Peixe, num mar de corais, conchas, peixes coloridos, reflexos de fundo mar, bolhas de ar, caranguejos, rochas.... Muito desenho, muitas horas de trabalho!! É obvio que cada um não vale menos de 50€. Como ninguém lhes dá esse valor, muito menos em Espanha, ele deixou essa arte só para si. Falou-me dos seus projectos, de aplicar essa arte no vidro e na técnica de vitral, que talvez se venda mais.
Conversámos muito nestes três dias de Feira, sobre sedas e técnicas, tintas e materiais, num espanhol aportuguesado, ou com palavras em inglês quando não encontrávamos outro termo em espanhol ou português. Pelo meio o Stano e sua chica trocavam frases em sueco ou filandês ( não sei, uma língua esquisita que não era alemão).
Fiquei assosserbada com este conhecer de uma pessoa especial que nem eu, nem ele nos lembramos de trocar contactos, nem sequer tirei fotografias - eu, que ando sempre com a máquina atrás! Por isso esta echarpe é em sua homenagem!
Só hoje falo sobre essa experiência ! Apenas fiquei com a lembrança carinhosa deste conhecimento que enriquece a vida e a nossa forma de ser e estar. Também fiquei com o nome de um sítio espanhol na internet de venda de sedas e materiais para seda, ao qual o Stano recorre. Realmente eu compro as sedas muito caras e , de facto, estou a vendê-las muito baratas! No entanto, como sou modesta e como acho que ainda estou muito no começo,ainda não me custa pedir pouco pelo que faço. Mas já estou a aprender que , se o trabalho que fiz tem aquela qualidade que pretendo que tenha, então valorizo-a, tenho de me orgulhar dela e não ter receio de pedir o peço que ela vale, não menos de 30€. Já mo disseram as artesãs Irene, fazedora de obras de arte com escamas de peixe e cascas de cebola, e a minha madrinha blogueira Judite, pintora de sedas e afins. TEMOS QUE NOS VALORIZAR! Valorizar a nossa arte , para que ganhe um estatuto de qualidade, não rebaixar o trabalho feito! Aos poucos vou fazendo isso, tanto que aqui na Madeira já sabem que a seda tem um preço, custa dinheiro. Já em Bragança ainda não é muito valorizada, mas aos pouquinhos... Continuo a vender lenços e trabalhos para os potenciais clientes menos endireinhados mas sou exigente e tenho trabalhado mais para obter mais qualidade e portanto valorizar mais o meu trabalho.